18 de Dezembro de 2025

Custo dos seguros de saúde deverá subir 10% em 2026, acima da inflação

Relatório da Aon prevê um aumento de 10% nos prémios dos seguros de saúde em 2026, muito acima da inflação. Saiba porque os custos sobem e como empresas e particulares se podem preparar.

Os seguros de saúde em Portugal deverão ficar mais caros em 2026. De acordo com o “2026 Global Medical Trend Rates Report”, da Aon, os prémios poderão aumentar em torno dos 10%, um valor significativamente superior à inflação de cerca de 2% prevista para a economia portuguesa.

Esta subida acompanha a tendência global de pressão sobre os custos da saúde, aproximando-se da média mundial (próxima dos 9,8%), mas ficando acima da média europeia, estimada em 8,2%. Segundo João Dias, Health Solutions Manager da Aon Portugal, é expectável que os seguros individuais sigam a mesma direção, ainda que não exatamente ao mesmo nível dos seguros contratados pelas empresas.

Mais pessoas com seguro, mais pressão sobre os custos

Em 2024, existiam já mais de quatro milhões de pessoas com seguro de saúde em Portugal, entre apólices individuais e de grupo, segundo dados do Observatório dos Seguros de Saúde. Este crescimento confirma que a proteção de saúde privada é cada vez mais vista como essencial — mas também ajuda a explicar parte da pressão sobre os prémios: mais utilizadores, mais atos médicos, maior custo global suportado pelas seguradoras.

Porque é que os prémios vão subir?

Além da inflação própria do setor da saúde, há vários fatores que estão a empurrar os preços para cima:

  • Envelhecimento da população segura nas empresas, com colaboradores que permanecem ativos durante mais anos e exigem maior utilização de cuidados médicos.
  • Transferência de custos do SNS para o privado em doenças de alto custo, com mais casos complexos a serem tratados em unidades privadas, mesmo quando os clientes têm seguro.
  • Aumento dos preços praticados pelos prestadores privados após a pandemia, acompanhado por escassez de profissionais e subida generalizada de salários no setor da saúde.

Tudo isto contribui para um aumento consistente do custo dos cuidados, que acaba por ser refletido no “pricing” dos seguros, tanto para empresas como para particulares. João Dias sublinha que, a médio prazo, esta trajetória de aumentos elevados é difícil de suportar para muitas empresas.

Como estão as empresas a reagir?

Perante este cenário, as empresas já começaram a ajustar a forma como gerem os planos de saúde dos colaboradores. Entre as medidas mais comuns contam-se:

  • aumento dos copagamentos (parte do custo suportada pelo trabalhador por cada ato médico);
  • revisão das franquias e limites de utilização;
  • introdução de contribuições simbólicas dos colaboradores para o seguro, em vez de financiamento 100% suportado pela empresa.

Ao mesmo tempo, cresce o investimento em prevenção: programas de bem-estar, rastreios regulares, check-ups, soluções de telemedicina e iniciativas para um uso mais eficiente das coberturas são estratégias usadas para tentar conter os custos sem reduzir de forma drástica a qualidade dos benefícios oferecidos.

As patologias que mais pesam nas despesas continuam a ser as doenças oncológicas e cardiovasculares, seguidas de problemas musculoesqueléticos, respiratórios e de saúde mental. Entre os principais fatores de risco destacam-se o envelhecimento, a falta de rastreios, a hipertensão, o sedentarismo e fatores genéticos.

E os seguros particulares?

Embora as projeções incidam sobretudo nos seguros de saúde empresariais, os segurados particulares também devem preparar-se para aumentos. Além do impacto dos custos médicos e da maior utilização, o preço dos seguros individuais já tende a subir com a idade do segurado e sofre revisões anuais das seguradoras.

Segundo João Dias, é provável que os seguros individuais acompanhem a tendência de subida, “embora com variações”, não devendo estar muito afastados dos incrementos observados no segmento corporate.

Perante isso, os clientes podem ponderar algumas estratégias para mitigar o impacto:

  • comparar ofertas entre várias seguradoras;
  • optar por planos com franquias ou copagamentos ligeiramente superiores, em troca de um prémio mais baixo;
  • ajustar coberturas, mantendo as mais relevantes e abdicando de garantias acessórias pouco utilizadas.

A decisão, defende o responsável, deve ser sempre informada e alinhada com as necessidades concretas de cada pessoa ou família, equilibrando proteção, orçamento e expectativas de utilização do seguro.

Fonte: eco.sapo.pt

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